A juíza do Trabalho Mylene Pereira Ramos, do TRT da 2ª Região (SP), está muito acostumada a ouvir uma frase: “Nossa, mas a senhora não tem cara de juíza”. Para muitos de seus interlocutores, Mylene não tem cara de juíza por uma razão específica: ela é negra.

Formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), ela tem mestrados pela Universidade de Stanford (Califórnia) e pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque, ambas nos Estados Unidos.

O saite Jota.info – em matéria assinada pelo jornalista Kalleo Coura, contou ontem (31) que Mylene – que é juíza do trabalho desde 1994 – há alguns anos ela teve de ler um recurso que a deixou ultrajada. O advogado de um ´skinhead´ que requeria vínculo trabalhista com uma gravadora musical e teve o pedido negado por ela, interpôs um recurso em que pedia que seu cliente fosse julgado por um juiz branco. “Foi muito aviltante ler aquilo. Nunca tinha visto uma coisa como aquela” – afirma.

Atualmente, Mylene é diretora do Fórum Trabalhista da Zona Sul de São Paulo (capital) e também substitui um desembargador no TRT da 2ª Região.

Mylene contou que, poucas vezes, a mãe dela ia ao fórum trabalhista para vê-la atuando. Foi assim que a mãe ouviu comentários, como por exemplo: “Olha que absurdo: essa mulher é juíza. Há um tempo atrás ela estaria na cozinha da minha casa lavando o chão”.

A magistrada também relata casos extremos. Ela julgou improcedente uma reclamação trabalhista de um ´skinhead que, de fato, não tinha cabimento algum: “Depois de ter sido preso em flagrante por ter detonado um homossexual negro na Avenida Paulista, ele foi desligado do trabalho. O advogado entrou com um recurso dizendo que queria que o processo de seu cliente fosse julgado por um juiz branco, não por mim. Eu estou tendo preconceito porque sou negra? A pessoa de fato escreveu isso, estamos numa sociedade doente. Perderam a vergonha total”.

Respondendo à pergunta se tomara alguma medida contra este advogado, Mylene respondeu que não: “Eu faço parte da comissão de igualdade racial da OAB e quero preservar um bom relacionamento com eles. Eu gosto é de dialogar, por isso preferi não denunciar. Mas foi muito aviltante ler aquilo. Nunca tinha visto uma coisa como aquela”.

Foto:

<a href=”http://www.freepik.com”>Designed by Freepik</a>

Fonte: http://www.espaçovital.com.br

Linda Ostjen

Advogada, licenciada em Letras pela PUC/RS, bacharel em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da PUCRS, com especialização em Direito Civil pela UFRGS e Direito de Família e Sucessões pela Universidade Luterana (ULBRA/RS), Mestre em Direitos Fundamentais pela Universidade Luterana.
Escritório em Porto Alegre/RS, Av. Augusto Meyer, 163 conj. 304.
Email: lindaostjen@gmail.com

Anúncios