Sentadas lado a lado, as mulheres que estão sofrendo com violência doméstica ou que já passaram por esta situação dividem as histórias, as angústias, em busca do fortalecimento da autoestima.

Essa técnica de Justiça Restaurativa aplicada à violência doméstica é um dos destaques da 8ª edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça em parceria com os tribunais de todo país. Entre os dias 21 e 25 de agosto, foram programadas palestras, reuniões e exposições nas Comarcas de todo estado. Durante esta semana são priorizados os processos incursos na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

Círculo de Paz é realizado

No Foro de São Leopoldo, os grupos de mulheres se reúnem uma vez por mês para falar de sentimentos, amor próprio, autoestima e tentar recuperar a confiança em si mesmas. “Quando elas falam, estão restaurando suas dores e seus conflitos. Elas se restauram com a história do outro e percebem que não estão sozinhas nesta situação”, afirma a Oficial Escrevente Miriam Simoni Schons, que é facilitadora voluntária dos Círculos Restaurativos.

Método tem sido importante para romper ciclo da violência, afirma Juíza Michele Scherer Becker.

A Juíza de Direito Michele Scherer Becker, do Juizado da Violência Doméstica de São Leopoldo, diz que nos últimos dois anos, desde que o Juizado foi criado na Comarca, os Círculos de Paz têm sido uma das principais estratégias de fortalecimento de vínculos familiares. “Esse tem sido um método importante de restauração. As mulheres conseguem se recuperar plenamente e romper o ciclo da violência”, afirmou a magistrada.

Uma das mulheres que participam do Círculo de Fortalecimento pediu para voltar outras vezes. Segundo ela, as duas horas que elas ficam reunidas, aproximadamente, são renovadoras. “A gente se apresenta, conta o motivo de estar aqui e vê que as histórias são parecidas. Uma apoia a outra”, afirmou a dona de casa.

Justiça Restaurativa

A Justiça Restaurativa é uma perspectiva de solução de conflitos que prima pela criatividade e sensibilidade na escuta das partes envolvidas e aproxima vítimas, agressores, suas famílias e a sociedade na reparação dos danos causados por um crime ou infração. No Rio Grande do Sul, sua prática junto aos casos de violência doméstica já funciona na Capital e em algumas comarcas do Interior.

Fonte: TJRS, Texto  Patrícia Cavalheiro

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