Xenofobia significa aversão pessoas ou coisas estrangeiras.

O termo é de origem grega e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). A xenofobia pode se caracterizar como uma forma de preconceito ou como uma doença, um transtorno psiquiátrico.

O preconceito gerado pela xenofobia é algo controverso. Geralmente se manifesta através de ações discriminatórias e ódio por indivíduos estrangeiros. Há intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros países ou diferentes culturas, desencadeando diversas reações entre os xenófobos.

Nem todas as formas de discriminação contra minorias étnicas, diferentes culturas, subculturas ou crenças podem ser consideradas xenofobia. Em muitos casos são atitudes associadas a conflitos ideológicos, choque de culturas ou mesmo motivações políticas.

 

As novas formas de preconceito começam a aparecer no Brasil, fenômeno relacionado à entrada desordenada de milhares de imigrantes negros no país a partir da região Norte, em um fluxo que não para de crescer.

Em 2010, os primeiros haitianos dessa nova rota de migração chegaram a Rio Branco.

Em 2014, já eram 39 mil haitianos, segundo dados da Polícia Federal. Pelo mesmo caminho aberto pelos haitianos, seguiram os senegaleses, que entram solicitando refúgio na fronteira. Foram 161 em 2012, 961 em 2013, 1.687 até outubro de 2014.

Os números são baseados em relatório organizado pela ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados.

As manifestações de racismo ainda são pontuais e incipientes, mas se agravaram quando o risco de uma epidemia internacional de ebola passou a ser noticiado pela imprensa em todo o planeta.

Ignorância

A história narrada pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos também revela outro aspecto relacionado ao preconceito: a falta de informação.

Ao associar a migração de haitianos ao ebola, o agressor em questão ignora que o foco principal da doença hoje não o Caribe, mas sim a África.

A incidência se concentra em três países do continente: Guiné, Libéria e Serra Leoa. Outros, como Senegal, por exemplo, são considerados livres da doença.

Com a experiência de atuação em algumas das regiões mais pobres do planeta, ele demonstra preocupação com as consequências de notícias exageradas, incluindo a discriminação contra africanos em geral.

“Temos visto muitos comentários feios de brasileiros em relação a africanos por conta do ebola”, aponta. “Isso começa a despontar e é sempre assim. À medida que o imigrante começa a aparecer, seja concorrendo em mercado do trabalho, seja como contraventor, ou como possível emissor de uma doença, a relação é de xenofobia imediata. A sociedade brasileira tem esse perfil de sociedade plural, mas basta pouca coisa para que manifestações agressivas comecem a ocorrer”, afirma o médico.

Justamente em função do crescimento de novos fluxos migratórios, ele aponta a necessidade urgente de políticas públicas específicas, o que ajudaria, acredita, a minimizar as chances de explosões de xenofobia. “Com o crescimento econômico o Brasil virou um polo de migrantes não só da Ásia, mas da África também.

Estamos em um estágio em que a questão da migração está sendo colocada para baixo do tapete.

As autoridades procuram dar resposta em relação à mídia, mas precisamos de mais que isso. Precisamos de uma política migratória concreta para essas pessoas, o governo brasileiro precisa olhar de forma séria e competente e construir uma política migratória real”, defende.

Repórter Brasil questionou o Governo Federal sobre uma política migratória federal e, segundo João Guilherme Lima Granja Xavier, diretor do Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça, existem planos nesse sentido, inclusive com propostas de alterações no Estatuto do Estrangeiro (veja o posicionamento do representante do Ministério da Justiça a seguir).

Fonte: https://goo.gl/Rrg3vX
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