Paolo Parise, padre que coordena a Missão Paz, centro de acolhida de imigrantes em São Paulo vinculado à Igreja Católica, conta que mesmo entre empresários há casos de racismo. “Um empresário contratou 12 haitianos como garçons.

Os colegas falaram ‘não, não vamos pegar negros para trabalhar em restaurantes. E nossa imagem?’. Mesmo entre as empresas têm preconceito. É aquela ideia de que em um restaurante italiano o garçom tem que ser branco”, conta o missionário, ele mesmo um imigrante italiano.

“Na Europa a proporção de migrantes em relação à população geral é muito maior. Aqui no Brasil, os mais exagerados falam em 1% da população. O Ministério da Justiça fala em 0,8%. É pouco, mas estamos com sinais claros, ouvimos aqui: ‘ah, esses negros vão aumentar a violência’, ‘estão tirando trabalho, trazendo doenças’. São frases que a gente escuta, e-mails que chegam… São coisas que a gente vê na Europa, onde alguns países têm 8%, 9% de imigrantes em relação à população. Com tão pouco aqui já estamos com sinais de preconceito, racismo, xenofobia?”, questiona o padre.

É Nilson Mourão, o secretário de Justiça e Direitos Humanos que relatou a ameaça do começo desta reportagem, quem responde como o Brasil deve tratar os imigrantes negros. “Do mesmo modo como outros países acolhem hoje quatro milhões de brasileiros, nós devemos acolher os que vêm de outros países. Particularmente os mais vulneráveis, que não por acaso são negros e pobres”, defende.

“Eu considero o direito de migrar como um dos direitos humanos. Qualquer ser humano tem direito de procurar melhorar sua vida e de sua família. O mundo é da humanidade.

Aqueles que deixam seu país não deixam por qualquer razão. Deixam porque não têm condições de sobrevivência e querem sobreviver com dignidade em algum outro lugar. Então eles devem ser recebidos de modo ordenado, organizado e digno e viver no nosso país. Eles trarão uma boa contribuição cultural e econômica para o desenvolvimento do país.”

Fonte: https://goo.gl/Rrg3v, Colaborou Thaís Brianezi

 

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