A Justiça de Salvador condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a pagar uma indenização de R$ 1.372.000 aos familiares da ialorixá (mãe-de-santo) Gildásia dos Santos e Santos. Em outubro de 1999, o jornal “Folha Universal” –que pertence à igreja– publicou uma foto da ialorixá para ilustrar a reportagem “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A mãe-de-santo morreu em 2000.

Na sentença, o juiz Clésio Rômulo Carrilho Rosa, da 17ª Vara Cível de Salvador, disse que a Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada por danos morais.

Além da indenização aos familiares da mãe-de-santo baiana, o magistrado determinou que sua sentença seja publicada em dois números consecutivos do jornal da igreja. Carrilho Rosa também fixou em R$ 5.000 a multa diária pelo eventual descumprimento da sentença.

A Igreja Universal do Reino de Deus tem até o próximo dia 30 para recorrer da decisão. A reportagem não conseguiu localizar os dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus no principal templo da entidade em Salvador. Nos telefones da igreja em São Paulo e no Rio de Janeiro, ninguém atendeu aos chamados.

“A decisão da Justiça baiana é uma vitória do candomblé. Nós, adeptos do candomblé, sempre fomos perseguidos pela intolerância religiosa da Igreja Universal do Reino de Deus”, disse a ialorixá Jaciara Ribeiro dos Santos, filha e sucessora de mãe-de-santo.

Na foto publicada, Gildásia dos Santos e Santos aparece ao lado de recortes oferecendo serviços de ajuda espiritual para resolver problemas. O texto afirma que o “mercado de enganação” estava crescendo muito no Brasil.

Segundo familiares da ialorixá, a foto utilizada para ilustrar o texto da Igreja Universal do Reino de Deus foi originalmente publicada pela revista “Veja” –na época, a mãe-de-santo defendia o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo.

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