Para a maioria é um evento da vida cercado de tristeza, o ponto final de um relacionamento pode ser desesperador para aqueles que não estão preparados para uma mudança no projeto de vida.

Cortar os laços com aquele que construimos família, esse é o significado  do divórcio ou a dissolução da união estável.

É  um dos eventos mais estressantes da vida das pessoas, em função das consequências biopsicossociais dele decorrentes. Pode abalar o emocional, rebaixamento na auto-estima, medo, angústia, tristeza, insegurança, insônia e isolamento são alguns dos sentimentos e emoções que passam na cabeça de muitas pessoas divorciadas.

Afinal, quando nos casamos, fazemos todo um projeto de vida a dois, e o divórcio costuma caracterizar-se como incapacidade de seguir projeto. Saber que um projeto de vida  acabou  na falência é duro.

O processo pode ser difícil, doloroso e afeta todas as pessoas envolvidas, tanto pais quanto filhos, familiares e amigos.

O sentimento é de estar em uma  sociedade descartável, na qual procuramos nos desfazer de tudo aquilo que não queremos mais, uma roupa, um calçado, eletrodomésticos que não nos servem mais e um amigo que nos decepcionou e, por fim,  um marido, esposa, companheiro, um relacionamento, uma vida que deixou de ser boa.

Eu não conheço nenhuma pessoa que requereu o divórcio de um relacionamento bom. Em que pese ter ouvido de dezenas de pessoas que não sabe o porque o outro quis divorciar.

Se há o lado negro do divórcio, há o contraponto,  há o outro lado, pois  o rompimento de uma relação não mais gratificante, com indiferença, com desprezo, com falta de respeito, com traições emocionais e financeiras, com discórdia, com dor e sofrimento para um ou ambos membros de um casal, neste caso, as pessoas saem aliviadas. E há até festa de divórcio.

Neste caso, a comemoração fará parte do ritual de entrada em uma nova etapa da vida, na qual haja a oportunidade de rever todos os pontos negativos e falhas do relacionamento finalizado, para não incorrer novamente nos mesmos erros, em um novo amor,  que levaram ao seu término.

Adv. Linda Ostjen Couto

Analisar os motivos que levaram ao divórcio, que contribuíram para que um relacionamento se tornasse falido, nocivo, doloroso, impossível, infeliz e prejudicial, pode favorecer, do ponto de vista psicológico, à construção saudável de novos relacionamentos.

Sendo advogada de divórcio durante mais de 20 anos e revendo as pessoas separadas após algum tempo, é possível constatar que a fase inicial de desestruturação, em geral por um ano, é seguida de uma outra, em que as pessoas ficam mais seguras e livres de emoções negativas, e passam a ter uma visão mais positiva do futuro e da vida.

E há aqueles que não aceitam a ruptura da união e agem como se ainda estivessem casados, mas isso é uma exceção. E com uma ajuda profissional superam muito bem, a menos que a pessoa não queira.

Estamos em 2019 e ainda há o mito de que o divórcio destrói o projeto de vida das pessoas, tornando-as infelizes, problemáticas e desajustadas.

Mas a verdade é que o divórcio requer ajustamento, e quando bem conduzido, poderá propiciar reflexões, preparando as pessoas para relacionamentos futuros mais felizes, saudáveis e harmoniosos.

Adv. Linda Ostjen